quinta-feira, 28 de março de 2013

Eucaristia, manjar de vida

É muito belo, meus irmãos,
passar de uma festa para
outra, de uma oração para
outra, de uma solenidade
para outra. Aproxima-se o
tempo que nos traz um novo
início e o anúncio da Santa
Páscoa, na qual o Senhor foi
imolado.

Do Seu alimento nos
sustentamos como de um
manjar de vida, e a nossa
alma delicia-se com o
Sangue precioso de Cristo
como numa fonte. Contudo,
temos sempre sede desse
Sangue, sempre O desejamos
ardentemente, mas o nosso
Salvador está perto daqueles
que têm sede, e na Sua
bondade, convida todos os
corações sedentos para o
grande dia da festa, dizendo:
“Se alguém tem sede, venha
a mim, e beba” (Jo 7,37).

Sempre que nos aproximamos
d'Ele para beber, Ele nos
mata a sede; sempre que
pedimos, podemos nos
aproximar do Senhor. A graça
é própria desta celebração
festiva, não se limita apenas
a um determinado momento;
nem seus raios fulgurantes
conhecem ocaso, mas estão
sempre prontos para iluminar
as almas de todos que o
desejam. Exerce contínua
influência sobre aqueles que
já foram iluminados e se
debruçam, dia e noite, sobre
a Sagrada Escritura. Estes
são como aquele homem que
o Salmo proclama feliz
quando afirma: “Feliz aquele
homem que não anda
conforme o conselho dos
perversos; não entra no
caminho dos malvados nem
junto aos zombadores vai
sentar-se; mas encontra seu
prazer na lei de Deus e a
medita, dia e noite, sem
cessar” (Sl 1,1-2).
Por outro lado, amados
irmãos, o Deus que, desde o
princípio, instituiu esta festa
para nós, concede-nos a
graça de celebrá-la cada
ano. Ele que, para nossa
salvação, entregou à morte
Seu próprio Filho, pelo
mesmo motivo nos
proporciona esta santa
solenidade que não tem igual
no decurso do ano.

Esta festa nos sustenta no
meio das aflições que
encontramos neste mundo.
Por ela, Deus nos concede a
alegria da salvação e nos faz
amigos uns dos outros.
Conduz-nos a uma única
assembleia, unindo
espiritualmente a todos em
todo lugar, concedendo-nos
orar em comum e render
comuns ações de graças,
como deve-se fazer em toda
festividade. É este um
milagre de sua bondade:
congrega, nesta festa, os que
estão longe e reúne, na
unidade da fé, os que,
porventura, encontram-se
fisicamente afastados.

Santo Atanásio, Bispo –
Século IV
(Trecho extraído do livro
“Alimento Sólido” de Prof.
Felipe Aquino )

Família, escola do perdão e da vida

Sabe qual é a maior família
que existe? É a que nós
possuímos, por mais frágil e
complicada que ela seja.
Sabe qual é o pior inimigo do
real? Pensou? O pior inimigo
do real – da família real,
daquela que temos – é o
ideal. É aquela “ideia” que
carregamos acerca de um
modelo, cuja realidade toda é
“obrigada” a se adequar, mas
que – definitivamente – não
corresponde à nossa
realidade.

Nem sempre o real
corresponderá aos nossos
ideais, e quase perenemente
precisaremos, com leveza e
maturidade, nos reconciliar
com o real para podermos, a
partir dele, construir uma
encarnada felicidade. A
felicidade só será possível a
partir da verdade e da
realidade que,
verdadeiramente, nos
compõem.
Como dizia o poeta: “Eu sei
que a vida devia ser bem
melhor e será, mas isso não
impede que eu repita: é
bonita, é bonita e é bonita
(Gonzaguinha). E por mais
que a vida nos apresente
problemas e deformidades,
ela sempre será um palco de
belezas no qual precisaremos
protagonizar nossa história.

Nossos familiares são mesmo,
inúmeras vezes, imperfeitos
e muito difíceis de conviver.
Todavia, é no solo dessa
verdade (de nossa verdade)
que precisamos nos assumir
e, com bravura e heroísmo,
nos lançar na construção da
felicidade e de suas
específicas exigências.
Precisamos amar e valorizar
a família que temos: o pai, a
mãe, os irmãos que Deus nos
deu, independentemente de
como são. Sem dúvida, isso
não é fácil e se revela como
realidade muito desafiadora.
Entretanto, ninguém poderá
construir uma vida
verdadeiramente feliz sem
ter a consciência tranquila
pelo fato de ter lutado pelos
seus e de não os ter
abandonado em virtude de
suas fraquezas.

Percebo como muito sábio e
real o ditado que diz: “Quer
conhecer alguém? É só
observar como ele trata seus
pais”, pois uma consciente e
constante atitude de desamor
com relação aos próprios pais
revela uma séria e profunda
deficiência no caráter e na
forma de se relacionar.
Nossos familiares (os pais e
os demais) manifestam
nossas raízes e nossa
identidade, e negá-los seria
negarmos a nós mesmos.
Nossa família sempre
oferecerá possibilidades, seja
por meio de alegrias ou de
dores, para nos tornarmos
pessoas melhores. Nela,
poderemos viver a relação e
a abertura aos demais (não
sem conflitos, é claro), assim
compreendendo que não
somos o centro “absoluto” do
mundo.

Na família aprendemos –
por bem ou por mal - a
repartir o que temos e o que
somos, com a possibilidade
de, constantemente,
frequentar a escola do
perdão. Assim aprenderemos
a oferecer, aos outros e a nós
mesmos, uma nova chance
diante de cada circunstância
ou erro cometido.
Pela família aprendemos a
compreender a imensa
fragilidade humana que
envolve a todos, percebendo-
nos também como seres
fracos e constantemente
necessitados de ajuda e
atenção.

Enfim, a família é uma
escola de vida e de
construção da felicidade;
nela, o ser tem espaço para,
de fato, “ser” e acontecer.

(Trecho extraído do livro
"Construindo a felicidade" )

quarta-feira, 27 de março de 2013

A IGREJA DOS POBRES

O Papa Francisco disse,
durante o encontro com
jornalistas, na semana de sua
eleição como Sucessor do
Apóstolo Pedro, que a Igreja
deve ser, especialmente, dos
mais pobres. Esse é o desejo
mais profundo do coração de
Deus. Jesus, na admirável
passagem sobre o juízo final,
narrada em parábolas pelo
evangelista Mateus,
sublinhou: “Todas as vezes
que fizestes isto a um destes
meus irmãos pequeninos, foi
a mim mesmo que o
fizestes” (Mt 25, 40). Jesus
deixa, assim, uma clara lição
aos seus discípulos, que deve
ser sempre assumida pela
Igreja como importante
compromisso.

O Concílio Vaticano II, na
Constituição Pastoral
Gaudium et Spes, afirma que
“as alegrias e esperanças, as
tristezas e as angústias dos
homens de hoje, sobretudo
dos pobres e daqueles que
sofrem, são também as
alegrias e as esperanças, as
tristezas e as angústias dos
discípulos de Cristo; e não há
realidade alguma
verdadeiramente humana
que não encontre eco no seu
coração”. Assim, a voz do
Papa Francisco, fazendo
ecoar este desejo e sonho de
Jesus, reacende no coração
da Igreja a chama da opção
preferencial pelos pobres.
Essa opção, na sua força
espiritual e suas
consequências concretas na
vida e nos empenhos, é um
indispensável remédio que
modula a Igreja, povo de
Deus, comunidade de
discípulos com as orientações
de seu Mestre e Senhor.

'Gesto primeiro e permanente
é contemplar os rostos dos
sofredores que doem em nós',
sublinha o Documento de
Aparecida, fruto da 5ª
Conferência dos Bispos
Latino-Americanos e
Caribenhos, focalizando as
pessoas que vivem nas ruas
das grandes cidades, as
vítimas da violência familiar,
os migrantes, os enfermos, os
dependentes de drogas,
encarcerados, os que
carregam o peso e as
consequências da
discriminação, preconceitos,
falta de oportunidades, além
dos excluídos da participação
cidadã. O Papa Francisco,
que esteve presente e
participou de maneira
decisiva da 5ª Conferência,
convida a Igreja a viver o
pacto ali assumido e assim
detalhado no Documento de
Aparecida: “comprometemo-
nos a trabalhar para que a
nossa Igreja Latino-
Americana e Caribenha
continue sendo, com maior
afinco, companheira de
nossos irmãos mais pobres,
inclusive até o martírio”.
Francisco indica um caminho
que para ser percorrido, com
eficácia, precisa de vigor
espiritual, de coragem, da
profecia e da alegria
verdadeira que só brota no
coração de quem
compreende bem o desejo de
Deus. A Igreja está, pois, pela
palavra e gestos do Papa, a
revisitar os tesouros da fé
cristã, banhando-se neles
para alcançar uma
compreensão espiritual capaz
de conferir novos rumos à
vida pessoal, organização
eclesial e à sociedade. Uma
via que deve se concretizar
com o modelo da
globalização da solidariedade
e justiça internacional. Esse
compromisso nascido da fé
em Jesus Cristo irradia luz
sobre o caminho renovador
que a Igreja é chamada a
trilhar, com kººº oooforça e tarefa
de inspirar a sociedade a
Lfazer novas escolhas,
responsável que ela é
também pelos pobres da
Terra.

A simplicidade que emerge
de uma Igreja para os pobres
há de alcançar raízes que
tocam o mais profundo das
diversas organizações sociais,
exigindo mais transparência,
singularmente na conduta
pessoal e a coragem de uma
presença profética na vida
dos necessitados, nas
relações sociais e políticas.
São urgentes as ações na
configuração de projetos,
obras, diálogos, cooperação e
comprometimentos que
construam um rosto novo
para a sociedade
contemporânea, sem as rugas
das exclusões produzidas ou
das corrupções praticadas.
Que a Igreja renove sempre
sua opção preferencial pelos
pobres, realizando projetos
grandes ou pequenos, de
menor ou maior significação,
para reencontrar o ouro de
sua fé e os caminhos para
que ninguém sofra da mais
terrível pobreza: a distância
de Deus. Contemplar-se
como Igreja para os pobres é
viver uma recuperação
pujante, revisão humilde e
corajosa de atitudes, no
compromisso com o bem e
com a verdade, anunciando o
Reino de Deus. O broto de
esperança desse tempo
guarda potencial inesgotável
para a novidade da Igreja de
Cristo, no cumprimento de
sua missão ampla e
complexa, de ser dos pobres
para os pobres.

Dom Walmor Oliveira de
Azevedo
Arcebispo metropolitano de
Belo Horizonte (MG)

Família, escola do Perdão e da Vida

Sabe qual é a maior família
que existe? É a que nós
possuímos, por mais frágil e
complicada que ela seja.
Sabe qual é o pior inimigo do
real? Pensou? O pior inimigo
do real – da família real,
daquela que temos – é o
ideal. É aquela “ideia” que
carregamos acerca de um
modelo, cuja realidade toda é
“obrigada” a se adequar, mas
que – definitivamente – não
corresponde à nossa
realidade.
Nem sempre o real
corresponderá aos nossos
ideais, e quase perenemente
precisaremos, com leveza e
maturidade, nos reconciliar
com o real para podermos, a
partir dele, construir uma
encarnada felicidade. A
felicidade só será possível a
partir da verdade e da
realidade que,
verdadeiramente, nos
compõem.
Como dizia o poeta: “Eu sei
que a vida devia ser bem
melhor e será, mas isso não
impede que eu repita: é
bonita, é bonita e é bonita
(Gonzaguinha). E por mais
que a vida nos apresente
problemas e deformidades,
ela sempre será um palco de
belezas no qual precisaremos
protagonizar nossa história.

Nossos familiares são mesmo,
inúmeras vezes, imperfeitos
e muito difíceis de conviver.
Todavia, é no solo dessa
verdade (de nossa verdade)
que precisamos nos assumir
e, com bravura e heroísmo,
nos lançar na construção da
felicidade e de suas
específicas exigências.
Precisamos amar e valorizar
a família que temos: o pai, a
mãe, os irmãos que Deus nos
deu, independentemente de
como são. Sem dúvida, isso
não é fácil e se revela como
realidade muito desafiadora.
Entretanto, ninguém poderá
construir uma vida
verdadeiramente feliz sem
ter a consciência tranquila
pelo fato de ter lutado pelos
seus e de não os ter
abandonado em virtude de
suas fraquezas.
Percebo como muito sábio e
real o ditado que diz: “Quer
conhecer alguém? É só
observar como ele trata seus
pais”, pois uma consciente e
constante atitude de desamor
com relação aos próprios pais
revela uma séria e profunda
deficiência no caráter e na
forma de se relacionar.
Nossos familiares (os pais e
os demais) manifestam
nossas raízes e nossa
identidade, e negá-los seria
negarmos a nós mesmos.
Nossa família sempre
oferecerá possibilidades, seja
por meio de alegrias ou de
dores, para nos tornarmos
pessoas melhores. Nela,
poderemos viver a relação e
a abertura aos demais (não
sem conflitos, é claro), assim
compreendendo que não
somos o centro “absoluto” do
mundo.
Na família aprendemos –
por bem ou por mal - a
repartir o que temos e o que
somos, com a possibilidade
de, constantemente,
frequentar a escola do
perdão. Assim aprenderemos
a oferecer, aos outros e a nós
mesmos, uma nova chance
diante de cada circunstância
ou erro cometido.
Pela família aprendemos a
compreender a imensa
fragilidade humana que
envolve a todos, percebendo-
nos também como seres
fracos e constantemente
necessitados de ajuda e
atenção.
Enfim, a família é uma
escola de vida e de
construção da felicidade;
nela, o ser tem espaço para,
de fato, “ser” e acontecer.

(Trecho extraído do livro
"Construindo a felicidade" )